Sobre as séries


Acho que foi em 1996 que meu pai assinou a TV a cabo. Ele queria ter acesso ao canal português. Nessa eu ganhei TNT, Sony, HBO, Warner e afins. Vi muitos filmes, mas fiquei apaixonada pelas séries. Eu via tudo fora de ordem, de Friends a Cheers, passando por Felicity e ER. Quatro anos depois passei a estudar de manhã e essas séries eram minhas companheiras nas tardes solitárias. Passei muitas manhãs de domingo vendo Dawnson's Creek. Depois de um tempo ela deu espaço para o Fúria MTV e os clips que eu gravava no meu VHS com controle de fio. 

A primeira que eu vi de cabo a rabo, em ordem, foi Lost. Comecei em 2006 e ao longo dos anos eu ia falando dela com amigos. Depois veio 24 Horas. Aí perdi as contas de quantas comecei a acompanhar. Engraçado que durante um tempo eu trabalhava fora, das 9 às 19h, fazia pós aos sábados e ainda assim encontrava tempo para ver um monte de séries. Durante a semana eu baixava os episódios e na sexta eu chegava do trabalho e virava a madrugada vendo. Mad Men e The Good Wife eram as preferidas dessa época. 

Não caí no hype de Breaking Bad logo de cara, mas no final estava eu baixando o episódio sem legenda mesmo porque queria saber o que ia acontecer. Game of Thrones eu amei durante quatro temporadas e dois livros. Depois larguei. Teve uma vez que eu estava deprimida e precisava de uma série besta para me distrair. Aí veio a primeira temporada Hemlock Grove. The Exorcist foi péssima, mas eu vi as duas temporadas. Salem eu comecei e larguei, mas queria voltar porque parece ser uma deliciosa besteira. 

Eu adorava Survivor, que teve duas temporadas e acabou do nada. Mesma coisa com Alcatraz e The Body Farm. Cresci vendo The OC e CSI (Las Vegas é minha preferida). Minhas séries da vida são Twin Peaks, X Files e My Mad Fat Diary. Mas também amo imensamente Fringe, Seinfeld e Parks and Recreation. Odeio com todas as minhas forças Fleabag. Tenho pavor quando comparam algo que eu gosto a essa série. Vi tudo de Girls, mesmo detestando e não tenho lembranças boas. 

The OA foi maravilhosa. Eu amo tudo que a Brit Marling faz. The Good Place me proporcionou bons momentos. Queria ver Frasier na sequência, mas tão difícil achar série antiga. Larguei Stranger Things, American Horror Story. Nunca vi The Americans, nem The Leftovers. True Detective eu amo a primeira, gostei da segunda, pulei a terceira, a quarta achei OK. 

House of Cards foi a série que eu usei, durante um episódio depressivo, para esquecer da vida. Spartacus eu amava para esse fim também. Lembro de um feriado em 2011, nada para fazer, sem forças para sair de casa, em que eu vi vários episódios dela. House eu também maratonei, nunca pulava a abertura. 

Uma vez, num antigo trabalho, estavam falando de novelas. Uma colega disse "Essas séries que você vê não são nada mais do que novelas". Torci o nariz, achei absurda a comparação. Corta para anos depois eu vendo Vale Tudo original e amando cada segundo. Mas eu larguei. 

Aí entra a Michelle de hoje em dia que simplesmente larga as coisas. Vejo pilotos, me empolgo, nunca mais volto. Lovecraft Country, uma outra de Stephen King que esqueci o nome, essa nova do It. Simplesmente não consigo ver uma série quando o tempo da vida adulta é tão escasso. Estou numa dieta (não para perder peso) e tenho que cozinhar basicamente tudo que eu como. Sempre tem louça na pia. Durmo demais por causa dos remédios que eu tomo. Tem sempre roupa pra lavar, chão para varrer, móveis para tirar pó. E o trabalho, né? Oito horas fazendo minhas coisinhas de computador. É preciso escolher bem como passar o tempo livre. 

Tenho três clubes de leitura e estou lendo Graça Infinita do David Foster Wallace. Estou sempre pensando em filmes que eu quero ver. Tenho minha coleção de DVDs, sem querer assinei Filmicca e agora preciso ver todos os filmes de lá para fazer essa assinatura valer a pena. Todo dia eu encho meus HDs externos. Quero fazer maratonas de diretores, de cinema brasileiro, de terror, de qualquer tema. E eu quero escrever mais. Aqui, no Cine Varda, no meu diário, nos mil cadernos que mantenho ao meu lado. 

Acho que esse texto é uma justificativa para mim mesma do porquê de não ver séries (e novelas antigas!). Quando eu era mais nova as tarefas domésticas eram divididas, eu não precisava dormir tanto, o aluguel não era uma preocupação. 

Certeza que esqueci de citar um monte de séries, que vou lembrar delas depois e ficar irritada de não ter colocado aqui. Não gosto de editar meus textos, só quando vou passar para outro espaço. Enfim, saudades do Orangotag. Vocês lembram dessa rede social? Era ótima para marcar os episódios vistos. Depois que ele saiu do ar eu fiquei desolada e passei a marcar no Filmow. Aí veio o Letterboxd para os filmes e TV Time para as séries. Um dia eu me estressei e deletei minha conta no TV. 

Eu tenho um sério problema de simplesmente deletar contas. Já perdi as contas de quantos last fms eu tive. Já deletei instagram, blog (só o primeiro, pelo menos, o resto tá tudo fechado), tumblr (esse foi sem querer e eu tenho muita raiva!) e newsletter. Letterboxd segue intacto, e curiosamente o Facebook também. 

Anoto num caderno desde 2010 todos os filmes que eu vejo. Durante um tempo comecei a anotar as séries. Parei. Estou com Widow's Bay e Daria para ver. Já revi Twin Peaks várias vezes. Tem um monte de séries de apenas uma temporada da HBO que eu quero ver. E se eu fosse rever Arquivo X? Ainda não vi essa última temporada, porque a penúltima foi ruim de doer. 

Eu comecei milhões de séries de comédia, até me dar conta de que eu achava tudo sem graça. Nada vai superar Seinfeld.