Termino de trabalhar às 17h, faço um pouco de exercício físico, tomo banho e vou ler. Agora tenho esse novo hobby. Nessas voltei a ouvir podcasts que tinha abandonado como You Must Remember This, que eu ouvia muito em 2019. Naquela época eu morava perto do trabalho, era uma caminhada de meia hora e essa era minha companhia. Outro que voltei a ouvir foi Her Head in Films, no qual a host fala de filmes misturando impressões de sua vida pessoal.
Eu sou uma grande fã de gente que se expõe quando está falando de alguma forma de arte. Desde que vi o filme Geração Prozac eu me apaixonei pela forma como a Elizabeth escrevia sobre a música de Lou Reed, era algo além da técnica e da dita qualidade. Era algo de dentro dela, dos sentimentos que aquela música causava. Lou Reed não é meu músico preferido, mas Venus in Furs, na voz dele, é a minha música da vida.
Lá no auge dos blogs eu conheci muita gente, entre elas o W. Ele escrevia sobre filmes de uma forma bastante pessoal. Ele falava em detalhes sórdidos sobre experiências sexuais que ele linkava a x ou y filme. Sempre achei isso fascinante e tentei trazer um pouco para a minha escrita. Quando eu tinha fotolog de cinema eu só colocava os dados técnicos e alguma opinião muito racional. Foi no blog que eu passei a me expressar de forma mais pessoal.
A host do Her Head in Films se expõe muito, de uma forma que eu penso se é saudável ou não. Num episódio ela fala sobre As Lágrimas Amargas de Petra von Kant e o que ela chama de "unrequired love". Ela fala em detalhes de quando se apaixonou por um homem que não a amava de volta. Ela chora enquanto conta como se sentiu abandonada, rejeitada. Eu jamais poderia me expor dessa forma, apesar de a ouvir com uma curiosidade quase que mórbida. Chorei junto com ela.
Petra é uma mulher complexa, apaixonada por Karen, que não retribui seu amor da forma que ela gostaria. A relação das duas é péssima, tóxica, esquisita, sufocante. Mas as duas ficam ali. Fassbinder sabia como criar esse tipo de clima desesperador. E no podcast eu senti tudo isso ouvindo sobre a vida da host e como ela sofreu por causa desse "unrequired love".
Ontem ouvi um sobre Gritos e Sussurros do Bergman, um que amo, mas ainda não revi. Uma mulher doente, sofrendo e prestes a morrer. Suas irmãs parecem não se importar, temem chegar perto e delegam para outra mulher o cuidado. Conheci Bergman em 2006, quando comprei o dvd de Persona, e minha vida mudou. Engraçado como o cinema pode ser tão intenso na vida da gente.
Quando eu era recém-adulta eu vi Ghost World pela primeira vez e me identifiquei com aquela situação de estar perdida, de não saber qual era o próximo passo. A vontade também era de sumir, de reconstruir algo que nem estava de pé ainda. Tenho tido vontade de rever esse também.



