Eu acho que meu primeiro CD foi o Axé Bahia 97. Mas lembro que na mesma época uma amiga da minha mãe me deu um do Joe Satriani e um do Legião Urbana. Uma vez minha tia jogou vários vinis no lixo, a minha vó pegou tudo e me deu para brincar. Ali tinha Kid Abelha, Legião e o mais importante, Titãs e The Cure. Titãs fez eu me apaixonar por música. O disco do The Cure era uma coletânea de singles, começava com Killing an Arab e tinha Boys Don't Cry.
A MTV fez o amor pela música aumentar. O Disk MTV antes de ir para escola me apresentou Alanis Morissette, Marilyn Manson, New Radicals, Sugar Ray e mais aquele monte de coisas. Passei madrugadas acordada e conheci muita coisa no Lado B e no Fúria, meus programas preferidos. Comprava revistas da 89 e a Bizz, tinha uma pasta de recortes do Silverchair. Também tive pastas da Alanis e do Nightwish, tenho ambas guardadas até hoje.
Ray of Light da Madonna foi o primeiro disco que fui até a loja comprar. Depois o Nine Lives do Aerosmith e o acústico da Rita Lee. Eu preferia comprar cds que tivessem as letras no encarte. Eu não tinha computador em casa para pesquisar. Fiquei muito puta quando comprei o Version 2.0 do Garbage e não tinha. Eu detestava o cara que trabalhava na loja de CDs perto de casa. Passei na frente esses dias e virou uma loja de instrumentos musicais.
Eu odiava que nessa loja não tinha quase nada de metal, só Sabbath, Metallica, Sepultura e as coisas mais básicas. Uma vez minha mãe comprou três revistas Planet Metal para mim e ali eu conheci The Gathering e Lacuna Coil, bandas que eu amo até hoje. Nightwish foi minha banda preferida até o Century Child. O show deles de 2002 foi o segundo da minha vida. O primeiro foi o do Tristania em janeiro daquele mesmo ano. Eu tinha 14 anos e ganhei uma promoção da gravadora para conhecer a banda. Foi um puta presente para aquela jovem Michelle que estava se apaixonado pelo rolê gótico.
Uma vez a minha professora de biologia me deu carona para casa e eu perguntei o que estava tocando. Ela tirou o CD e me emprestou. Era o First and Last and Always do Sisters of Mercy. Pouco tempo depois ela me emprestou CDs e vinis do Depeche Mode, Front 242, Neubauten e Joy Division. Eu tenho uma puta nostalgia dessa época, de conhecer música por revistas e rádio. Eu amava o Mask, numa rádio aleatória que eu esqueci o nome. Uma vez eu fui sorteada e ganhei um CD de uma banda brasileira. Fui até um shopping buscar o mesmo, numa loja de surf que o cara da rádio trabalhava. Sem esquecer o programa do Vitão Bonesso. O de número 666 foi especial sobre black metal e ali fodeu a minha vida inteira.
O rolê black metal me deu a minha amiga mais antiga, mas também me deu muita dor de cabeça e um atropelamento. O show do Gorgoroth foi o primeiro do gênero que vi, depois teve Possessed, Dissection, Enthroned e felizmente tive oportunidade de ver um do Miasthenia, uma das poucas bandas que eu ouço até hoje. Um rolê legal era que eu e a M. tínhamos um fotolog para divulgar bandas de metal extremo com mulheres na formação. Sinister com a Rachel é outra banda que eu escuto até hoje.
Uma vez eu sofri um acidente na aula de educação física e tomei sete pontos na cara. O médico me mandou ficar x horas acordada. Minha mãe me levou até a Galeria do Rock e me deu um CD do Green Carnation. Passei a madrugada ouvindo e traduzindo a letra. Aliás, a primeira vez que fui lá foi para comprar o Oceanborn e o Wishmaster do Nightwish. Depois voltei pelo Spit da Kittie e o In a Reverie do Lacuna Coil.
Nessa época eu ouvia muito new metal e fiquei fascinada pelo Tura Satana, que logo acabou. Ainda bem que teve o My Ruin depois. Eu sempre quis um CD dessa banda e nunca tive. Ainda acompanho a Tairrie B. pelo instagram dela. Saudades daquele site que ela tinha, cheio de textos e fotos escaneadas. Com 13 anos eu ganhei duas revistas Kerrang e nela conheci Snake River Conspiracy e Queens of the Stone Age. Tenho as duas ainda, uma com Marilyn Manson na capa e outra com Slipknot. Numa delas o Rob Zombie falava sobre seu primeiro filme.
Hoje fazendo faxina coloquei o Without You I'm Nothing do Placebo e lembrei das férias de julho de 2000. Esse disco no Diskman e um livro da Agatha Christie na mão. Eu també gostava de ouvir o "disco da vaca" do Pink Floyd enquanto lia Sidney Sheldon. Aquela fase bem da mudança de vinil para CD me rendeu boas compras no sebo. O The Top do The Cure custou três reais. Comprei o Tinderbox da Siouxsie, mas dentro veio uma coletânea. Tinha Christine e Israel nele. Ah, naquele programa Mask eu conheci a música Red Light dela, que às vezes é minha preferida.
No Mask eu ouvi uma música que eu acho que se chamava Three Sisters, de uma cantora chamada Sarah Eden. Nunca encontrei nada na internet a respeito. Será que eu fanfiquei essa música? Queria escutar de novo, mas acho que esse vai ser para sempre um grande mistério na minha vida. Pelo menos eu lembro de Diva Destruction e meses depois comprei o CD pirata na loja da galeria do lado da Galeria.
Teve Sonic Youth num Free Jazz e eu queria muito ter ido. Ganhei o A Thousand Leaves num amigo secreto na escola, depois de ter visto o clip de Sunday. A professora de biologia me mostrou o Washing Machine. A capa do Evol sempre me assustou. Na revista Bizz uma vez o Fabio Massari indicou o Prayer and Malediction da Diamanda Galás e eu demorei anos para conseguir escutar.
Fui obcecada durante anos pela Chelsea Wolfe. Seus três primeiros discos (inclusive o que ela renega) são preferidos da vida. Me acompanharam durante momentos bem pesados. Hoje ainda gosto dela, mas aquela coisa mística, de falar baixo e ser calminha é demais para mim. Prefiro recorrer ao Live Through This do Hole. Anos depois veio a Lingua Ignota e ela é atualmente a minha cantora preferida da vida. Tudo que ela faz me fascina. Esses tempos tenho escutado muito Nico, Sybille Baier e Marissa Nadler.
Às vezes fico nostálgica pensando no last fm e nas pessoas que conheci lá. Nessa fase eu ouvia Bones in the Water do Battle of Mice todos os dias. Fiquei viciada em Sunday Munich e Venus in Furs se tornou minha música preferida da vida até hoje. Tem um vídeo do John Cale tocando ela no violino que é a coisa mais perfeita do mundo.
Agora não vou mais em shows. Fui no do Teenage Funclub para acompanhar o T. Tinha visto um do Sidney Magal numa Virada Cultural. Vi o Zeal and Ardor antes da pandemia. Vi um do Michale Graves tocando Misfits. Esqueçamos por um minuto o quão pau no cu ele é. Em 2012 eu fiquei obcecada com o caso West Memphis Three e ouvia direto o disco que ele gravou com letras do Damien Echols.
Em 2012 eu ia em muito show e em 2010 fui sozinha num pela primeira vez. Não tinha companhia para ver o Mark Lanegan e isso não me impediu. Vi Steven Wilson, Arkona e Opeth com pessoas que nunca mais vi na vida. O do Katatonia em 2011 foi um dos mais lindos da minha vida. O melhor talvez tenha sido o do Nick Cave em 2018.
Sinto falta de quando eu ficava obcecada por bandas, como foi com a Patti Smith, que eu lia tudo a respeito, varava noites ouvindo os discos. A facilidade de ouvir bandas torna tudo muito rápido e dispensável. Minha banda preferida da semana passada nunca mais será ouvida. Estou parecendo uma velha "no meu tempo...", mas parece que antes eu apreciava muito mais a música. Sinto saudades de ver encartes lindos como os do Smashing Pumpkins.
Queria não ter deletado meu primeiro last fm, seria legal recordar as fases de obsessão, redescobrir bandas. Eu gravava discografias em DVDs e anotava tudo num papel, guardava num case da Hello Kitty. Hoje eu me contento com as playlists do Spotify, fico puta que algumas bandas deixam discos apenas no Bandcamp. Eu entendo toda a problemática e etc, mas eu queria ouvir Menace Ruine com mais facilidade.
Não me rendi aos streamings de filmes, odeio que me perguntem "Onde tem esse filme?", mas me rendi totalmente à música online. Ainda tenho um toca CD aqui, coleciono trilhas de filmes, mas a minha vitrola ficou com um ex. Trabalho ouvindo música, mas depois disso fico no silêncio com meus livros.
