When she jumped, she probably thought she could fly

 

Quando eu tinha 13 anos minha melhor amiga era a B. A mãe dela trabalhava na locadora da rua e eu sempre via vários filmes na casa dela. Num domingo assistimos As virgens suicidas, filme de 1999 da Sofia Coppola. Imaginem o impacto que esse filme teve na Michelle de 13 anos, mesma idade da Cecilia, a primeira das irmãs Lisbon a se matar. 

Revi o filme ontem e ele perdeu algumas estrelas. A Michelle de quase 39 está mais amarga e talvez mais cínica. Mesmo que o filme traga uma estética tumblr antes mesmo da existência do tumblr, algo ali não me pegou mais tanto como antigamente. A ausência de pessoas não-brancas, problemas além da própria adolescência e etc. Sim, a militante dentro de mim devia descansar, mas no filme não deu. 

Reli o livro no começo desse mês. Minha edição foi traduzida pela Marina Colasanti e devo confessar que não gostei muito. Eu comprei e li o livro pela primeira vez em 2008, estava no último ano de faculdade e acostumada a ler L&PM e Martin Claret, editoras que cabiam no meu orçamento de estudante e estagiária. Agora em 2026 sinto que a tradução ficou truncada. Li alguns trechos no original e a escrita do Eugenides é simplesmente a coisa mais linda, poética e delicada que já li na vida. Curioso pensar que um homem construiu personagens adolescentes de forma tão bonita. 

Lux é a principal, a irmã que mais se destaca, que tem a atenção dos meninos, mas para mim sempre será Cecilia. Ela e seu diário, sua observação das irmãs, seus amores adolescentes, suas dores. Engraçado que no filme ela me parece mais interessante que no livro, sendo que o livro tem toda uma sensibilidade que Sofia não conseguiu levar para o filme. 

Mas não me entendam errado, gosto muito do filme. Gosto do que ele representou para a Michelle de 13 anos. Se eu não o tivesse revisto, talvez a lembrança continuasse intacta.