O universo de Demy e Varda


Eu tenho uma tradição recente de sempre começar o ano com um filme da Varda. Às vezes revejo algum querido, como foi o caso de 2025, que escolhi As praias de Agnès, longa que fez com que eu me apaixonasse por ela. Agora em 2026 escolhi o documentário O universo de Jacques Demy

Varda e Demy foram casados até o falecimento do diretor, em 1990. Nunca fizeram um filme juntos, mas sempre estiveram presentes nos respectivos sets. Em 1991 Varda lançou Jacquot de Nantes, que conta a história de Demy, desde sua infância e seu amor pelo cinema. Há uma foto linda, da diretora de mãos dadas com seu marido, que já estava doente. Um ano antes do lançamento ele havia falecido em decorrência da Aids. 


Já em 1995 Varda fez uma nova homenagem a seu marido, O universo de Jacques Demy, documentário que passa por seus filmes, mostrando cenas e entrevistas com atores e pessoas que trabalharam com ele nos bastidores. Ela também conta um pouco da inspiração dele para esses filmes. Devo confessar que não sou a maior fã do trabalho de Demy, nada contra, é que eu não suporto musicais (gosto de dois, para ser honesta). 

Fui atrás então daqueles que tivessem o mínimo de música possível. Comecei com A Baía dos Anjos de 1963. Ele é estrelado por Jeanne Moreau, uma atriz que admiro demais. Foi muito bacana vê-la nesse documentário falar sobre trabalhar com Demy. 



Uma vez eu estava andando pelo centro de São Paulo e vi uma banca vendendo DVDs daquelas coleções de jornais. Um dos títulos disponíveis era Pele de Asno, filme de 1970 do Demy. Ele é baseado no conto infantil que eu não conhecia e traz Catherine Deneuve no papel principal. A fada madrinha é interpretada pela Delphine Seyrig, minha atriz francesa preferida. Juro que tentei gostar desse filme, mas ele é estranho demais, até mesmo para os meus padrões. 

Voltando ao documentário em si, eu dei 3,5 estrelas para ele. Não é o melhor do mundo, não sou a maior fã de Demy. É sempre bom ouvir o que Agnès Varda tem a dizer, e também acompanhar depoimento de pessoas que trabalharam com eles. Não apenas isso, é bacana entender como era uma determinada época do cinema, de acordo com quem esteve nela.